Mais de 76% dos servidores do Ministério Público de São Paulo apontam ter sofrido assédio moral no trabalho – Diário Regional

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Após o suicídio de um colega nas dependências da instituição, um grupo de servidores do Ministério Público de São Paulo elaborou um questionário e o enviou à classe, trazendo à tona um problema estrutural há muito conhecido, porém raramente abordado: a cultura do assédio no MPSP.

O levantamento obteve 777 respostas e delas extraíram-se números alarmantes: 76,4% já sofreram assédio moral e 14,3% já sofreram assédio sexual no ambiente de trabalho. Também foi constatado que 83,3% dos servidores já presenciaram alguém sendo assediado moral e/ou sexualmente dentro da instituição.

Dessas pessoas já assediadas, 68,5% não levaram o caso a alguém ou denunciaram formalmente a algum setor da instituição. Quando perguntadas se conseguiam definir o porquê de não haver denunciado o assédio, os motivos mais apontados foram “medo de perseguição” e “sabia que não daria em nada”.

As manifestações de assédio moral mais descritas na enquete foram gritos, pedidos agressivos, ameaças e pressão psicológica.

Essas respostas evidenciam que o assédio faz parte do cotidiano dos servidores do Ministério Público do Estado de São Paulo e, ainda, é a causa do adoecimento de vários deles. De acordo com a pesquisa, 71,5% afirmam que conhecem alguém dentro do MPSP que tenha se afastado do trabalho por burnout, síndrome do pânico, depressão ou crise de ansiedade.

30,1% dos servidores que responderam o questionário disseram que tomam algum remédio psiquiátrico controlado, sendo os diagnósticos mais comuns ansiedade, depressão, síndrome do pânico e transtorno obsessivo-compulsivo. Quando perguntados se entendem que o diagnóstico tem a ver com o MPSP, 39,8% disseram que sim ou em parte.

A enquete ainda indagou sobre quais sentimentos os participantes já tiveram por motivos relacionados ao trabalho no Ministério Público, e as respostas que mais apareceram foram: ansiedade, stress, tristeza profunda, sentimentos depressivos, exaustão física, exaustão mental, somatização, sensação de perseguição, desespero, apatia, vontade de largar o emprego, vontade de sumir e pensamentos de morte.

O questionário também visava coletar informações sobre a relação servidores X instituição. Nesse cenário, 89,7% das respostas apontam que as pessoas não sentem confiança, nem transparência na Administração Superior do MPSP e apenas 0,64% consideram que ela apresenta políticas voltadas para o bem-estar e desenvolvimento profissional do servidor.

Ainda sobre a impressão dos servidores em relação à administração da instituição, 41,8% nunca se sentem respeitados como servidores públicos por ela, e 84,68% não consideram as soluções apresentadas para os conflitos internos no MPSP satisfatórias.

No domingo (7/8), esse grupo de servidores – que prefere se manter anônimo justamente por medo de possíveis retaliações – publicou uma carta aberta ao procurador-geral de Justiça e a todos os integrantes do MPSP – a qual segue anexada – requerendo mudanças estruturais na instituição, apontando os problemas que a impedem de ser exemplarmente democrática e exigindo um olhar mais humano à saúde mental de seus integrantes.

Para mais informações sobre o questionário, a carta aberta e as intenções deste grupo, envie e-mail para [email protected].

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