CSP-Conlutas – Militarização de Bolsonaro em órgãos públicos relembra ditadura

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O presidente Jair Bolsonaro é militar, assim como seu vice o general Hamilton Mourão, e tem beneficiado sua classe como revelam os números. Sua política ditatorial e conservadora está provocando um verdadeiro aparelhamento de fardados nos cargos de chefias ou assessoria de sua administração.

O governo pretende contratar militares como funcionários para trabalhar no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A proposta é de que 7 mil reservistas ocupem esses cargos, com o objetivo de diminuir a demora no atendimento.

Outra indicação feita na semana passada ao Senado por Bolsonaro foi a do médico e contra-almirante da Marinha Antônio Barra Torres para exercer o cargo de diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Essa política de militarização dos órgãos públicos não é de agora. Tem sido praticada por outros governos, ditos progressistas, como o da Bahia, cujo governador é o Rui Costa (PT), que militarizou 83 escolas no estado, projeto pensando antes de Bolsonaro assumir a presidência.

Ainda assim, essa prática está sendo intensificada nesse governo totalitário e que abertamente defende o conservadorismo e o militarismo.

Nos primeiros nove meses do presidente no cargo, foram ampliados 325 postos para militares, que participam da administração federal.

Pelo menos oito de 22 ministros do governo também são militares, juntamente com 2.500 outras pessoas que ocupam cargos, sejam como chefes ou como assessores.

De acordo com levantamento feito pela Folha de S. Paulo no final do ano passado, dos 100 órgãos investigados, 30 deles tiveram seu quadro de funcionários ocupado por militares, com aumento em relação ao antigo governo.

Desde a ditadura militar (1964-1985), quando essa prática era comum, não se via tantos fardados ocupando cargos de poder na administração pública.

O Gabinete de Segurança Institucional passou de 943 para 1.061 militares. Na Vice-Presidência, houve salto de três para 65, assim como no ministério do Meio Ambiente, que foi um salto de um militar para 12. O mesmo ocorreu no Ministério da Justiça que tem à frente Sérgio Moro, que dobrou o quadro de pessoas de sua confiança com esse perfil, e ainda, por determinação, todos deveriam trabalhar fardados.

Especialistas apontam que essa militarização do governo ocorre pela falta de conhecimento político do presidente, que prefere indicar seus pares para esses postos, mesmo que eles não tenham os requisitos necessários para ocupá-los, em uma evidente linha ideológica conservadora e autoritária, típica de militares.

Em declaração feita para a Folha de S. Paulo, o historiador Carlos Fico, também professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), avaliou que é um movimento natural vindo de quem não tem uma sólida estrutura partidária. “A dimensão do autoritarismo é muito flagrante no governo atual, mas tem essa outra dimensão que é o despreparo, não só do presidente, mas uma ausência dos quadros ao seu redor”, frisou.

O historiador completa seu raciocínio citando os problemas que esse movimento pode gerar. “Esse ethos militar seguramente não é familiar e frequentemente não é compatível com o ambiente de gestão mais democrática. Esse é um dos prejuízos. Existe também um certo mito de que os militares seriam bem preparados. O fato é que eles são preparados nas escolas militares, que têm um componente ideológico muito forte e muito negativamente forte, que ainda ressoa aquele ambiente da Guerra Fria.”

Entre as instituições que teve o aumento de militares ocupando esses cargos estão o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), o Ministério de Minas e Energia, Ciência e Tecnologia, com outros servidores contratados também com o perfil militar.

Fascismo escancarado

Para completar o cenário preocupante, na semana passada, o secretário especial de cultura do governo, Roberto Alvim, fez um vídeo com declarações similares a um dos mentores da propaganda nazista, Joseph Goebbels. Alvim foi demitido, devido ao repúdio que seu pronunciamento causou nacionalmente.

Para o dirigente da CSP-Conlutas Atnagoras Lopes, “um governo militarizado e que tem em cargos de confianças pessoas que fazem apologia ao nazismo, fascismo e ao militarismo não deve ser tolerado, por tudo que essas vertentes ideológicas já ocasionaram de ruim, como mostra a história”, concluiu.

Com informações da Folha de S. Paulo