CSP-Conlutas – Caso Alvim: Não basta demissão, queremos prisão para quem plagia e dissemina a política nazista

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Imediatamente à divulgação, as repercussões foram de total indignação. Como alguém que tem um cargo governamental de alto escalão pode se apropriar do discurso de um dos mentores da propaganda nazista, Joseph Goebbels, sem ir preso?

“Não basta a demissão do secretário especial de Cultura, Roberto Alvim. Nós queremos cadeia para quem mais do que plagiou um discurso nazista, cultuou o nazismo em um pronunciamento, o culto de um regime totalitário e assassino como foi o de Hitler”, cobrou o dirigente da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas Atnágoras Lopes.

Se fosse na Alemanha, terra do próprio Goebbels, ele poderia ser preso.

O escândalo aconteceu na noite desta quinta (16), em vídeo em que o secretário divulgou o Prêmio Nacional das Artes, lançado momentos antes em live com o presidente Bolsonaro e o ministro da Educação, Abraham Weintraub.

Em tom soberbo, Alvim disse no vídeo: “A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada”.

Em 1933, dizia o ministro de Cultura e Comunicação nazista: “A arte alemã da próxima década será heroica, será ferramenta romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”.

Calcula-se que mais de 6 milhões de pessoas foram mortas sob o nazismo. Judeus, militantes de esquerda, trabalhadores e trabalhadoras, idosos e crianças.

Somente nos meses de agosto, setembro e outubro de 1942, considerados os mais terríveis da Segunda Guerra Mundial, foram assassinadas 1,47 milhão de pessoas.

O secretário Alvim, após demissão, chegou a afirmar na mídia, que ele não teria sido o autor daquele texto e sim sua assessoria e que teria sido “infeliz coincidência retórica”, resultante de uma pesquisa no Google. Desculpa estapafúrdia! A música ao fundo, de Richard Wagner, um dos compositores preferidos de Hitler, só provam que o tiro saiu pela culatra. Havia intencionalidade na vinculação da declaração com a grandiosidade com que era divulgada a política nazista.

“Mesmo que fosse a assessoria, o discurso mostra em que bases teóricas e ideológicas está sustentado este governo. Isto não pode passar impune e não podemos tratar como algo normal, um erro que possa ser corrigido apenas com uma demissão”, reforça Atnágoras.

A jornalista Maria Carolina Trevisan aponta um aspecto importante em artigo no UOL sobre o tema. “É o que Hannah Arendt classifica como ‘A banalidade do mal’, quando a sociedade passa a normalizar determinados comportamentos aparentemente sem maldade. O problema é que disso pode surgir a violência extrema e sistemática contra setores da população”, escreve Travisan.

A jornalista bem lembra que somente recentemente, alguns fatos não deveriam se encarados como normal. “… vem também na sequência da declaração do ministro da Educação, Abraham Weintraub, de que descartaria milhões de livros didáticos – aqueles que têm “muita coisa escrita”, segundo Bolsonaro. Segue-se à ideia da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, de promover a abstinência sexual para controlar a gravidez na adolescência…”.

“Chega! Diante de tantas declarações e medidas na gestão Bolsonaro, não podemos perder a nossa capacidade indignação e chamar a luta urgente para derrotar esse governo e sua política de ultradireita”, ressalta Atnágoras.